JUVENTUDE RURAL E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA UM SEMIÁRIDO MAIS JUSTO E PRODUTIVO
Hoje é o Dia Internacional da Juventude e, para tratarmos do tema no contexto do Semiárido, conversamos com alguns jovens que têm buscado melhorias na região onde vivem. Em 2016, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a data destaca os jovens e seu potencial enquanto lideranças no processo de erradicação da pobreza e alcance do consumo e produção sustentáveis.
Sandyeva Francione Silva, de 20 anos, atualmente vive em Campo Redondo, Semiárido potiguar, atuando no fortalecimento da economia solidária e do comércio justo em sua comunidade. Ela integra a Cooperativa Agropecuária Cacho de Ouro (COOPERCACHO), contribuindo para a mobilização da juventude e incentivando a inserção e o reconhecimento dos jovens rurais em outros espaços e entidades.
“Aqui temos os jovens na Rede de Educadores e Educadoras Populares que promovem oficinas e discussões entre outros jovens para reflexões e busca de novas soluções e tecnologias para melhor conviver com o Semiárido. Com oportunidades de oficinas e intercâmbios promovidas, eles têm contato com outras experiências que se encaixam ou podem se adaptar à realidade de cada um, ajudando, por exemplo, na produção e na comercialização”, diz.
A jovem quilombola Marcília Rodrigues de Sousa, de 23 anos, acredita que a presença do jovem no campo é fundamental para manter viva a cultura e a identidade locais. “A juventude resiste. A maioria permanece aqui lutando e isso é importante para nossa cultura, para manter produtiva nossa agricultura. Muitos saem para estudar fora e voltam com a capacitação para melhorar as condições e a sustentabilidade aqui”, destaca.
A jovem quilombola Marcília busca valorizar a identidade local e elevar a autoestima dos jovens por meio do conhecimento, da arte e da cultura. Foto: Talentos do Semiárido
Chitara, como é conhecida, é técnica em agropecuária, professora e radialista. Ela integra a Cooperativa Mista de Empreendedorismo e Serviço da Capoeira de Quilombo, com sede na comunidade quilombola Saco/Curtume, em São João do Piauí, e também faz parte da UMT – União de Mulheres do Território Serra da Capivara, uma rede de cooperação com apoio do SEBRAE.
Morador da comunidade Vereda Grande, em Piripá, na Bahia, Denilson Rocha Moura, de 31 anos, reforça que é importante a organização dentro de uma comunidade, para que seja possível conquistar melhores condições de vida no campo. A estruturação das associações e cooperativas da agricultura familiar e economia solidária e a implementação de grupos de fundos rotativos solidários e de bancos de sementes crioulas são alguns dos caminhos que ele destaca. “Dentro das nossas comunidades têm diversas economias que devem ser potencializadas, buscando a valorização do conhecimento empírico”, diz, frisando que o jovem é fundamental nesse processo.
“Temos na juventude um grande anseio de mudança e uma oportunidade de experimentar novas alternativas. Neste sentido, o jovem poderá assumir o papel de protagonista na construção de um Semiárido mais justo e solidário”, acredita Denilson, que é presidente da Cooperativa dos Produtores dos Derivados da Cana de Açúcar e todos os Produtos da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Região do Vale do Rio Gavião e Serra Geral (COODECANA) e diretor financeiro da Rede Gavião.
Arlan dos Santos Correia, de 34 anos, do povoado Santo Antônio, em Barra do Choça, Semiárido da Bahia, é técnico em agropecuária e conta que criou um grupo de artesanato com o intuito de formar uma associação para que as pessoas possam produzir as peças por meio de suas habilidades e vender para ajudar nas despesas. Ele acredita que a economia solidária e o comércio “contribuem para o crescimento do comércio local e para a qualidade de vida da região”, diz.
Sobre a importância dos jovens no contexto do Semiárido, comenta: “eles têm uma capacidade grande de pensar e planejar, têm muita energia e é preciso utilizar isso de forma positiva no campo. Eu percebo os jovens preocupados e doando um pouco de si em prol do outro, mas é preciso mais incentivo”.
Essas e outras experiências podem ser conferidas, de forma mais detalhada, na plataforma digital Talentos do Semiárido, parceria entre a Procasur e o Programa Semear (FIDA/IICA/AECID). Para isso, basta acessar www.portalsemear.org.br.
A data para celebrar o Dia Internacional da Juventude foi escolhida por resolução da Assembleia Geral da ONU em 1999, como resposta à recomendação da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, realizada de 08 a 12 de agosto do ano anterior.
Números
De acordo com dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os jovens brasileiros ocupam, hoje, um quarto da população do País. São cerca de 51,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos – 84,8 % nas cidades e 15,2 % no campo.
O gráfico abaixo, do Censo Demográfico para o Semiárido Brasileiro, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), mostra que nas regiões semiáridas do Brasil é grande a presença de pessoas entre 19 e 29.
Portal Semear
Postar um comentário